REGIÃO DOS LAGOS: SEIS TESOUROS DO VERÃO

ella Vista, o primeiro vinhedo brasileiro à beira-mar

Quem visita a Região dos Lagos sabe que a fama das praias de águas cristalinas não é exagero. Mas o litoral fluminense guarda muito mais do que cenários famosos. Entre trilhas que revelam lagunas preservadas, praias desertas, recantos silenciosos, ilhotas quase secretas e até um vinhedo à beira-mar — o primeiro do Brasil — surgem destinos que começam a despontar como verdadeiros tesouros para viajantes que desejam fugir das rotas tradicionais.

Este roteiro apresenta alguns desses lugares, cada um com sua própria identidade: de praias intocadas a recantos cinematográficos, passando por experiências enogastronômicas inesperadas. São espaços que combinam natureza preservada, infraestrutura na medida certa e uma sensação de descoberta que transforma a viagem.

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1 Ponta da Farinha (Iguaba Grande)

NATUREZA INTOCADA COM ACESSO FACILITADO

Escondida dentro de uma Área de Proteção Ambiental (APA), a Praia Ponta da Farinha, em Iguaba Grande, é um dos destinos mais recentes a ganhar atenção dos amantes do ecoturismo. Por muitos anos, era acessível apenas por uma trilha pouco conhecida. Hoje, porém, o cenário mudou com a implantação de um serviço oficial de travessia marítima partindo da Praia dos Ubás.

A embarcação moderna e confortável comporta até 16 pessoas e transforma o próprio trajeto em atração: o percurso atravessa o espelho d’água da lagoa, entregando vistas privilegiadas da paisagem nativa. Ao chegar, o visitante encontra um ambiente praticamente intocado, onde a restinga preservada, aves migratórias e formações naturais compõem um santuário ecológico.

A travessia custa R$ 20 (ida e volta), gratuita para crianças até seis anos, funcionando de sexta a domingo, das 9h às 17h, com mínimo de cinco passageiros por saída. Informações e agendamentos são feitos pelo Instagram oficial

@travessiapontadafarinha • WhatsApp (22) 99863-1298.

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2 Praia do Robalo/Villaggio Valtellina (Arraial do Cabo)

O REFÚGIO SILENCIOSO ENTRE MAR, TRILHA E GASTRONOMIA

Arraial do Cabo sempre atrai olhares com seu “Caribe brasileiro”, mas é fora das praias mais badaladas que está um dos recantos mais charmosos e ainda pouco conhecidos da cidade. O local atende por diferentes nomes — Praia do Robalo, ou simplesmente o recanto do Villaggio Valtellina — e combina natureza preservada, infraestrutura discreta e uma atmosfera de refúgio absoluto.

Cercado por verde, silencioso e com trilha leve que não exige esforço, o espaço é ideal para quem deseja contemplar a paisagem sem pressa. O acesso para quem vem pela Via Lagos se dá via Saquarema ou Araruama rumo à RJ-102; para quem chega pela Serra, o caminho também é pela Estrada de Praia Seca.

Ao chegar, o visitante encontra um pequeno complexo que acolhe o turista sem comprometer o clima de tranquilidade: o restaurante Valtellina e a Up Wind, que reúne guarderia, hospedaria e escola de esportes náuticos como vela e kitesurfe. Um ponto alto da experiência é a pizzaria artesanal, parada obrigatória para quem descobre o recanto — perfeita para terminar o dia apreciando a brisa constante e um cenário de pôr do sol cinematográfico.

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3 Fazenda Roberto Marinho/Praia dos Cardeiros (São Pedro da Aldeia)

CENÁRIO DE NOVELA  COM TRILHA HISTÓRICA

A expressão “coisa de novela” descreve bem a experiência de conhecer a Praia dos Cardeiros, ou Ponta dos Cardeiros, em São Pedro da Aldeia. O local fica junto à histórica Fazenda Cardeiros, mais conhecida como Fazenda Roberto Marinho, propriedade da família do fundador da Rede Globo desde 1944. Antes disso, pertencia ao industrial Henrique Lage.

A região, marcada por cactos cardeiros que podem atingir cinco metros de altura, mantém preservada sua biodiversidade. O acesso se dá pela Praia do Sudoeste, onde o visitante deve deixar o carro e iniciar a trilha de aproximadamente 2 km, monitorada e muito bem cuidada pelos funcionários da fazenda.

O percurso costeiro, plano e de fácil acesso combina areia, conchas, rochas e vistas amplas da Laguna de Araruama. A trilha cruza um geossítio composto por rochas metamórficas de cerca de 2 bilhões de anos, formadas durante processos que remontam ao antigo Supercontinente Gondwana.

Durante o passeio, pontos como a Ponta da Baleia e a Praia dos Marinhos rendem fotos inesquecíveis. No final, surge a Praia dos Cardeiros: cerca de 400 metros de águas calmas e cristalinas, margeadas por pinheiros que acentuam a sensação de isolamento natural.

Turistas relatam águas quentes e excelente visibilidade para snorkel. O local é monitorado por segurança privada e câmeras, e veículos motorizados são proibidos.

Endereço: Estrada do Boqueirão, nº 4.748, São Pedro da Aldeia
Dicas: leve água, lanche, protetor solar e mantenha a trilha limpa.

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4 Ilhota de Massambaba (Arraial do Cabo)

A “ILHA DE NÁUFRAGO” QUE VIROU FENÔMENO DAS REDES

Em Arraial do Cabo, um novo point tem conquistado turistas — e o motivo é fotogênico. A Ilhota de Massambaba, acessível a partir da Praia do Pescador, parece saída de um desenho animado: uma ilha minúscula, com areias brancas, uma única árvore e um balanço solitário balançando ao vento.

A travessia depende da maré, mas mesmo com a subida o trecho permanece raso por longos metros, o que torna o passeio perfeito para famílias. O acesso exige certo espírito aventureiro: são trechos de estrada de terra e caminhadas, e o visitante precisa ignorar caminhos sugeridos por apps como Waze ou Google Maps, que podem levar a salinas desativadas.

A região enfrenta conflitos entre o interesse turístico e as tentativas de condomínios de impedir a passagem, obrigando a prefeitura a remover porteiras de acesso ilegal. Moradores antigos relatam histórias e preocupação com o crescente fluxo de visitantes, mas também reconhecem o impacto positivo da recuperação ambiental da Laguna de Araruama.

Nos últimos anos, graças a investimentos em saneamento pela concessionária Pro Lagos, a laguna recuperou alta balneabilidade e viu o retorno de espécies como o cavalo-marinho de focinho longo e até o raro cavalo-marinho da Patagônia, considerados bioindicadores de excelente qualidade da água. A pesca também se fortaleceu, com relatos de aumento no volume e variedade de peixes.

Para chegar mais rapidamente, empresas como Pelicano Tour, Onda Arraial e Tour Divertido oferecem passeios de buggy de duas a quatro horas, com preços a partir de R$ 150.

O nome Massambaba tem origem tupi e significa “lugar onde o bicho passa”, remetendo à crença indígena de que seria um território mal-assombrado — um toque de mistério para um destino que já é uma aventura.

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5) Vinhedo Bella Vista (São Pedro da Aldeia)

O PRIMEIRO VINHEDO À BEIRA-MAR DO BRASIL

Em uma região identificada sobretudo pelo sol e pelas praias, São Pedro da Aldeia abriga um projeto ousado e surpreendente: o Vinhedo Bella Vista, o primeiro vinhedo brasileiro à beira-mar dedicado ao cultivo de uvas finas da espécie Vitis vinifera.

O microvinhedo, instalado a apenas 5 km em linha reta da Praia do Forte e 70 metros acima do nível do mar, ocupa 20 mil m2 e é fruto do sonho do casal Francisco Carlos Rodrigues e Jane dos Santos Rodrigues. O local reúne quase 500 videiras cultivadas organicamente, incluindo Syrah, Touriga Nacional, Chenin Blanc e, futuramente, Vermentino.

Ao unir agricultura sustentável, enoturismo e arte, o Bella Vista se tornou uma atração que desafia o imaginário sobre o litoral fluminense e abre novas portas para o turismo rural na região.

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6) Museu do Sal (São Pedro da Aldeia)

A HISTÓRIA QUE MOLDOU A REGIÃO DOS LAGOS

Outro ponto turístico vem ganhando destaque por revelar um lado pouco conhecido da Região dos Lagos: o Museu Regional do Sal, em São Pedro da Aldeia — o primeiro e único do Brasil dedicado exclusivamente à história da atividade salineira.

Inaugurado em 2023 às margens da Rodovia Amaral Peixoto, o espaço oferece uma verdadeira viagem no tempo, resgatando desde os primeiros povos que se relacionaram com o sal até o auge e o declínio da indústria que marcou profundamente a cultura e a economia locais.

A visita começa com um vídeo de cerca de dez minutos, que apresenta a evolução da produção salineira e conta também a trajetória da construção colonial onde hoje funciona o museu. O diretor, o historiador Alexandre Martins de Azevedo, faz questão de acompanhar pessoalmente os visitantes sempre que possível, explicando a narrativa criada para o acervo.

Segundo Alexandre, o museu apresenta uma linha histórica ampla, que vai dos períodos mais remotos do planeta às civilizações antigas, sempre destacando a importância do sal na formação da humanidade.  Ao longo da exposição, o visitante encontra capítulos pouco conhecidos da memória local, como o uso de escravizados nas primeiras salinas do Brasil, especialmente na de Cabo Frio, que chegou a operar com cerca de cem cativos.

Hoje, o museu é referência cultural e se tornou parada obrigatória para quem deseja entender a formação da Região dos Lagos para além das praias. O espaço funciona de quinta a domingo, das 13h às 19h, além de feriados nacionais. Fica localizado no km 107 da Rodovia Amaral Peixoto, ao lado da UPA Pediátrica, em São Pedro da Aldeia. Informações adicionais podem ser obtidas pelo

e-mail museudosal@pmspa.rj.gov.br