Aydano André Motta
Na festa crescentemente mergulhada nos temas ancestrais e conectados ao povo preto, a União de Maricá dobra a aposta na representatividade, para se consolidar como protagonista. Em seu terceiro desfile na Série Ouro, a vermelho e branco levará à Sapucaí o Carnaval dos “Berenguendéns e Balangandãs”, que narrará a história da joalheria produzida por negros no Brasil.
Criação do carnavalesco Leandro Vieira (ganhador de dois títulos na Série Ouro e três no Grupo Especial), o enredo abordará as peças produzidas e utilizadas principalmente por mulheres negras, no período colonial e imperial. Mais do que simples adornos, os berloques e correntes eram também símbolo de resistência, identidade e cultura.
“Esse conjunto de peças pendentes presas à cintura das mulheres pretas reúnem farto material iconográfico de estética exuberante. São frutas bordadas, animais estilizados em ouro e prata, objetos de marfim, azeviche e corais”, celebra Vieira. “Embora visualmente sedutor e profundamente carnavalesco, é apenas parte dessa história de beleza. Junto da penca, há todo o universo social e religioso, associado a um modo de se impor numa sociedade escravocrata, de reinvenção do sagrado e de liberdade conquistada por mulheres empreendedoras que se exibiam cobertas por joias”.
Sexta escola a desfilar no sábado de Carnaval, a Maricá se esmerou na construção de seu desfile, num barracão com estrutura que se aproxima dos ocupados pelas escolas do Grupo Especial. A prefeitura da cidade da região metropolitana manteve alto investimento na escola, uma das responsáveis pelo crescimento do orgulho da identidade municipal.
A equipe da Maricá inclui profissionais e artistas da elite. O coreógrafo da comissão de frente, Patrick Carvalho, assina o mesmo setor na Imperatriz Leopoldinense, mesma escola de Leandro Vieira. O diretor de Carnaval, Wilsinho Alves, dá expediente também em outra vermelha e branca, o Salgueiro. O intérprete, Zé Paulo Sierra, conduzirá o samba da Portela, um dia depois do desfile da Maricá.
Aliás, o hino para o desfile tem como autores Babby do Cavaco, Rafael Gigante, Marcelo Adnet, Hélio Porto, Jefferson Oliveira e André do Posto 7. A parceria recebeu R$ 100 mil como premiação, o maior valor pago pela escola e o mais elevado entre todas as agremiações do grupo. O refrão empolgante: “Balangandãs, berenguendés/ Canta Maricá o que a baiana tem/ Pertencimento que reluz no amuleto/ Claro, tinha que ser preto!”
Samba forte, que marca o ritmo da caminhada firme da Maricá em direção à elite da Sapucaí.









