ITALIANO GIANCARLO ABRE AS PORTAS EM BOTAFOGO

Polpetta ao pomodoro

Bruno Agostini


Quinta à noite, quando dei uma rápida espiada no novo Giancarlo, que abriu as portas para o público na sexta-feira, em Botafogo, eu pensei: “Porra, fizeram esse menu pra mim, tem tudo o que eu mais gosto”.

Sabendo que isso seria obviamente uma inverdade, eu voltei sábado para almoçar com calma nessa que é uma das mais faladas novidades dos últimos tempos, no número 11 da Rua Oliveira Fausto. Importante saber que estão tendo filas, sobretudo de noite, e nos fins de semana.

Cheguei cedo, pouco depois do meio-dia. Entrei, peguei uma mesa perto do bar, e fiquei observando o ambiente enquanto escolhia o que beber, já sabia o que iria pedir para comer.

Aí, mesmo que isso soe pretensioso, eu tive a certeza de que sim, o Giancarlo foi feito para mim.

Não é só por causa do menu que me apetece, e muito, mas pelo conjunto de tudo.

Tem uma certa magia ali que é recriar um passado recente, algo cada vez mais distante, e que por isso me emociona. Lembrei do meu avô, que me levava a bons restaurantes, e do meu pai, que igualmente fez isso por mim.

Eu realmente fui levado a um tempo que já não existe senão nas lembranças: Rio de Janeiro, anos 1980. O Giancarlo é um restaurante de 1985, mas que nasceu em janeiro de 2026.

Porchetta, polpetta e língua: trio de delícias para começar

Lembrei da minha infância, dessas mesas assim, com toalhas de papel, com pratos exatamente desse jeito, e com garçons usando um uniforme que não mais se vê, é algo meio hospital, ou sorveteria. Sei lá, sei que é antigo. Sei que traz memórias vivas pra mim. Traz pessoas pra minha mesa. Puta que pariu… isso é foda, desculpe o palavreado.

Comi salada Romanov, de cavaquinha com batata frita, recomendo que provem. Também língua ao molho. Recomendo que experimentem. Também teve porchetta tonnata, ou seja, leitão fatiado ao molho cremoso de atum; e ainda um lindo prato de almôndegas ao sugo.

Provem essas coisas. #vaipormim 

Não comi exatamente nessa ordem, e isso não importa no que quero dizer hoje.

Aí, o Matheus chegou e perguntou, com sua delicadeza (acho ele um dos chefs mais sensíveis que conheço): “Gostou?”.

Eu disse que muito, e completei. “A única almôndega no Rio que pode ser comparada a essa é a do Bar Panamá, em Copacabana, conhece?”.

“Conheço, é muito boa mesmo. Acho melhor que a minha, só que essa é a da minha vó”, ele disse, meio sem jeito de aceitar o fato de que faz a melhor polpetta do Rio.

Depois, ele lembrou dos almoços de domingo com sua avó no interior de São Paulo. Eu, lembrei do meu avô nós almoços de domingo no Rio dos anos 1980. Eu chorei de emoção. Em média, uma vez por ano por às lágrimas na mesa de um restaurante. Nunca é por causa da comida, sempre pelas lembranças boas. O restaurante é um lugar de memória. O Giancarlo tão jovem já faz parte da minha vida. Tive uma tarde no último sábado que jamais vou esquecer.

Agora, preciso voltar para me dedicar aos pratos principais. Vai ser difícil escolher… Olhe abaixo.

Grazie mille!!!!!

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SERVIÇO
Giancarlo: Rua Oliveira Fausto 11, Botafogo. Instagram: @giancarlo.restaurante