DESFILE DAS ESCOLAS DE SAMBA DO GRUPO ESPECIAL
Datas e ordem dos desfiles
O Carnaval 2026 acontece n no próximo fim de semana. A Série Ouro desfila nos dias 13 e 14, enquanto o Grupo Especial entra na Avenida nos dias 15, 16 e 17. A apuração será na Quarta-Feira de Cinzas, dia 18, e o desfile das campeãs ocorre no sábado seguinte, 21. (Para escutar os sambas, aponte a câmara para os QR Codes).
DOMINGO – 15.02.2026
NITERÓI
IMPERATRIZ
PORTELA
MANGUEIRA
SEGUNDA-FEIRA – 16.02.2026
MOCIDADE
BEIJA-FLOR
VIRADOURO
TIJUCA
TERÇA-FEIRA – 17.02.2026
TUIUTI
VILA ISABEL
GRANDE RIO
SALGUEIRO
Caroline Rocha
Apresentamos nesse post tudo que você precisa saber sobre as estrelas do espetáculo na Passarela. Enredos, sambas, artistas, cores — o guia completo para decifrar o que vai pela pista.
DOMINGO

ACADÊMICOS DE NITERÓI
Cores: Azul e branco. Horário de desfile: 22h. Componentes: 3.200. Presidente: Wallace Palhares. Intérprete: Emerson Dias. Diretores de Carnaval: Hamilton Junior, Saulo Tinoco e Ricardo Simpatia. Carnavalesco: Tiago Martins. Mestre de bateria: Branco. Rainha de bateria: Vanessa Rangeli. Mestre-sala e porta-bandeira: Emanuel Lima e Thainara Matias. Coreógrafos da comissão de frente: Marlon Cruz e Handerson Big; Enredo: “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”.
Estreante no Grupo Especial, a Acadêmicos de Niterói apresentará a história de luta do primeiro operário a chegar à Presidência da República. O enredo narra a trajetória de Lula desde a infância no Nordeste, passando pela chegada a São Paulo, onde iniciou seu processo de conscientização política e a liderança em greves, até se tornar o primeiro presidente da República do Brasil sem diploma universitário.

Autores do samba: Teresa Cristina, André Diniz, Paulo Cesar Feital, Fred Camacho, Junior Fionda, Arlindinho, Lequinho, Thiago Oliveira e Tem-tem Jr.
Eu vi brilhar a estrela de um país
No choro de luiz, à luz de Garanhuns
Sertão onde a pobreza e o pranto
Se dividem para tantos
E a riqueza multiplica para alguns
Me vejo nos olhares dos meu filhos
Assombrados e vazios com
o peito em pedaços
Parti atrás do amor e dos meus sonhos
Peguei os meus meninos pelos braços
Brilhou um sol da pátria incessante
Pro destino retirante te levei Luiz Inácio
Por ironia, treze noites, treze dias
Me guiou Santa Luzia, São José alumiou
Da esquerda de Deus pai, da luta sindical
À liderança mundial
Vi a esperança crescer e o
povo seguir sua voz
Revolucionário é saber escolher
os seus heróis
Zuzu Angel, Henfil, Wladimir
Que pagaram o preço da raiva
Nós ainda estamos aqui no Brasil
de Rubens Paiva
Lute pra vencer, aceite se perder
Se o ideal valer, nunca desista
Não é digno fugir, nem tampouco permitir
Leiloarem isso aqui a prazo, à vista
É… tem filho de pobre virando doutor
Comida na mesa do trabalhador
A fome tem pressa, Betinho dizia
É… teu legado é espelho
das minhas lições
Sem temer tarifas e sanções
Assim que se firma a soberania
Sem mitos falsos, sem anistia
Quanto custa a fome?
Quanto vale a vida?
Nosso sobrenome é Brasil da Silva
Vale uma nação, vale um grande enredo
Em Niterói o amor venceu o medo
Olê, olê, olê, olá
Vai passar nessa Avenida mais
um samba popular
Olê, olê, olê, olá,
Lula! Lula!

IMPERATRIZ
Cores: Verde, branco e ouro. Horário de desfile: Entre 23h30 e 23h40. Componentes: 3.000. Presidente de honra: Luiz Pacheco Drumond (in memoriam). Presidenta: Cátia Drumond. Intérprete: Pitty de Menezes. Diretor de Carnaval: André Bonatte. Carnavalesco: Leandro Vieira. Mestre de bateria: Lolo. Rainha de bateria: IZA. Mestre-sala e porta-bandeira: Phelipe Lemos e Rafaela Theodoro. Coreógrafo da comissão de frente: Patrick Carvalho. Enredo: “Camaleônico”.
A Rainha de Ramos homenageará Ney Matogrosso, um dos mais importantes artistas brasileiros e ícone da cultura nacional. O enredo celebra a obra e a virtuosidade performática do intérprete de sucessos como “Sangue Latino”, “Rosa de Hiroshima”, “O Vira”, “Homem com H” e “Metamorfose Ambulante”.

Autores do samba: Hélio Porto, Aldir Senna, Orlando Ambrósio, Miguel Dibo, Marcelo Vianna e Wilson Mineiro e Gabriel Coelho, Alexandre Moreira, Guilherme Macedo, Chicão, Antônio Crescente e Bernardo Nobre.
Vem meu amor
Vamos viver a vida
Bota pra ferver
Que o dia vai nascer
feliz na Leopoldina
Sou meio homem, meio bicho
O silêncio e o grito
Pássaro, mulher
Que pinta a verdade no rosto
Traz a coragem no corpo
E nunca esconde o que é
Pelo visível, indefinível
Ressignifica o frágil
O que confunde é o desbunde
Do que desafia o fácil
Canto com alma de mulher
Arte que sabe o que quer
E não se esqueça:
Eu sou o poema que afronta o sistema
A língua no ouvido de quem censurar
Livre para ser inteiro
Pois, sou Homem com H
E como sou
O bicho, bandido, pecado e feitiço
Pavão de mistérios, rebelde, catiço
A voz que a cálida Rosa deu nome
A força de Athenas que o
mau não consome
O sangue latino que vira
Vira, vira lobisomem
Eu juro que é melhor se entregar
Ao jeito felino provocador
Devoro pra ser devorado
Não vejo Pecado ao Sul do Equador
Se joga na festa,
esquece o amanhã
Minha escola na rua
pra ser campeã

PORTELA
Cores: Azul e branco. Horário de desfile: Entre 0h50 e 1h10. Componentes: 3.000. Presidenta de honra: Vilma Nascimento. Presidente: Júnior Escafura. Intérprete: Zé Paulo Sierra. Diretor de Carnaval: Júnior Schall, Higor Machado e Claudinho Portela. Carnavalesco: André Rodrigues. Mestre de bateria:. Vitinho. Rainha de bateria: Bianca Monteiro. Mestre-sala e porta-bandeira: Marlon Lamar e Squel Jorgea. Coreógrafos da comissão de frente: Claudia Mota e Edifranc S. Alves. Enredo: “O mistério do príncipe Bará: a oração do negrinho e a ressurreição de sua coroa sob o céu aberto do Rio Grande do Sul”
A Portela desenvolverá seu enredo a partir da figura mística, misteriosa e complexa de Custódio Joaquim de Almeida, príncipe da região do Benin que encontrou morada no Rio Grande do Sul no século 19. Sua chegada revolucionou a negritude local, impactou a consolidação do Batuque, religião afro-gaúcha, e serviu como inspiração para gerações do movimento negro.

Autores do samba: Valtinho Botafogo, Raphael Gravino, Gabriel Simões, Braga, Cacau Oliveira, Miguel Cunha e Dona Madalena
É Bará, É Bará, ôô!
Quem rege a sua coroa, Bará?
É o rei de Sapaktá
Aláfia do destino no Ifá!
Tem mistério que incandeia
Pro batuque começar
Sou mistério que incandeia
Pra Portela incorporar
Vai, Negrinho vai fazer libertação
Resgatar a tradição
Onde a África assenta
Ô, corre gira, vem revelar
O reino de Ajudá
O pampa é terra negra em sua essência
Alupo, meu Senhor, Alupô!
Vai ter xirê no toque do tambor
Alumia o Cruzeiro chave de encruzilhada
É macumba de Custódio no romper da madrugada
Curandeiro, feiticeiro
Batuqueiro precursor
Pôs a nata no gongá (ô, iaiá!)
Fundamento em seu terreiro
Resiste a fé no orixá
Da crença no mercado
Ao rito do Rosário
Ainda segue vivo o seu legado
Portela tu és o próprio trono de Zumbi
Do samba, a majestade em cada ori
Yalorixá de todo axé
Enquanto houver um pastoreio
A chama não apagará
Não há demanda que o povo preto não possa enfrentar
Ae Oni Bará! Ae Babá Lodê!
A Portela reunida carregada no dendê
Sob o céu do Rio Grande
Tem reza pra abençoar
O príncipe herdeiro da coroa de Bará!

MANGUEIRA
Cores: verde e rosa. Horário de desfile: Entre 2h10 e 2h40. Componentes: 3.000. Presidenta de honra: Chininha. Presidenta: Guanayra Firmino. Intérprete: Dowglas Diniz. Diretor de Carnaval: Dudu Azevedo. Carnavalesco: Sidnei França. Mestres de bateria: Taranta Neto e Rodrigo Explosão. Rainha de bateria: Evelyn Bastos. Mestre-sala e porta-bandeira: Matheus Olivério e Cintya Santos. Coreógrafos da comissão de frente: Karina Dias e Lucas Maciel. Enredo: “Mestre Sacaca do Encanto Tucuju -O Guardião da Amazônia Negra”
A Mangueira apostará em um enredo afro-indígena, que conta a história de Raimundo dos Santos Souza. Ao ser apelidado como Sacaca, uma titulação xamânica, ele navegou pelos rios que cruzam a região Norte do Brasil, entrando em contato com diferentes populações tradicionais. Mestre Sacaca tornou-se um personagem brasileiro de profundos saberes sobre o manuseio de ervas, seivas, raízes e elementos que compõem a Amazônia Negra amapaense.

Autores do samba: Joãozinho Gomes, Pedro Terra, Tomaz Miranda, Paulo César Feital, Herval Neto e Igor Leal.
Finquei minha raiz
No extremo norte onde começa
o meu país
As folhas secas me guiaram ao turé
Pintada em verde-e-rosa,
jenipapo e urucum
Árvore-mulher, Mangueira
quase centenária
Uma nação incorporada
Herdeira quilombola,
descendente palikur
Regateando o Amazonas no
transe do caxixi
Corre água, jorra a vida do
Oiapoque ao Jari
Çai erê, babalaô, Mestre Sacaca
Te invoco do meio do mundo pra
dentro da mata BIS
Salve o curandeiro, doutor da floresta
Preto velho, saravá
Macera folha, casca e erva
Engarrafa a cura, vem alumiar
Defuma folha, casca e erva… saravá
Negro na marcação do marabaixo
Firma o corpo no compasso
Com ladrões e ladainhas
que ecoam dos porões
Ergo e consagro o meu manto
Às bençãos do Espírito Santo
e São José de Macapá
Sou gira, batuque e dançadeira (areia)
A mão de couro do amassador
Encantaria de benzedeira que
a Amazônia negra eternizou
Yá, Benedita de Oliveira, mãe do Morro de Mangueira
Abençoe o jeito tucuju
A magia do meu tambor te
encantou no jequitibá
Chamei o povo daqui, juntei o povo de lá
Na Estação Primeira do Amapá
SEGUNDA-FEIRA

MOCIDADE
Cores: verde e branco. Horário de desfile: 22h. Componentes: 3.500. Presidente de honra: Rogério Andrade. Presidente: Flávio da Silva Santos. Intérprete: Igor Vianna. Diretor de Carnaval: Marcelo Plácido e Wallace Capoeira. Carnavalesco: Renato Lage. Mestre de bateria: Dudu. Rainha de bateria: Fabíola Andrade. Mestre-sala e porta-bandeira: Diogo Jesus e Bruna Santos. Coreógrafo da comissão de frente: Marcelo Misailidis. Enredo: “Rita Lee, a padroeira da liberdade”
A estrela guia de Padre Miguel celebra Rita Lee como símbolo supremo da liberdade. Em um enredo que dispensa a trajetória biográfica, a escola vai homenagear o grito de independência musical, estética e comportamental da cantora e compositora, que faleceu em maio de 2023, aos 75 anos.

Autores do samba: Jefinho Rodrigues, Diego Nicolau, Xande de Pilares, Marquinho Índio, Richard Valença, Orlando Ambrosio, Renan Diniz, Lauro Silva, Cleiton Roberto e Cabeça do Ajax
Um belo dia resolvi mudar
Cansei dessa gente careta
Aos seus bons costumes
eu sinto informar
Formei outras ovelhas negras
A Tropicalista do verbo sem freio
Pra farda uma língua e o dedo do meio
Cabelo de fogo e a lente encarnada
Mutante da pele marcada
Transo rock e samba pra sentir prazer
Agora só falta você (yeah, yeah)
Sou Independente, fácil de amar
Livre de qualquer censura
Vem, baila comigo
Só de te olhar, posso imaginar loucuras
Amor é pra sempre
O corpo compondo entre
a boca e o ventre
Dedilha a guitarra (lá laiá)
Arranca as amarras e me bebe quente
Meu doce vampiro além do querer
Desculpe o auê!
Se é caso sério, eu lanço perfume
Aumenta o volume que
eu banco a verdade
Não adianta prender
Santa Rita Leeberdade
Vem, seja Pagu, se entrega
Quem foge ao padrão vence a regra
Sou voz feminina plural
Assino a estrela no seu carnaval
Mocidade, ê, ê, ê, ê, ê
Minha Mocidade, voltei por você!
Desbaratina a razão, se joga, meu bem
No céu, no mar, na lua, na Vila Vintém!

BEIJA-FLOR
Cores: azul e branco. Horário de desfile: Entre 23h30 e 23h40. Componentes: 3.500. Presidente de honra: Anisio Abraão David. Presidente: Almir Reis. Intérpretes: Nino e Jessica Martin. Diretor de Carnaval: Marco Antônio Marino. Carnavalesco: João Vitor Araújo. Mestres de bateria: Rodney e Plínio. Rainha de bateria: Lorena Raissa. Mestre-sala e porta-bandeira: Claudinho e Selminha Sorriso. Coreógrafos da comissão de frente: Jorge Teixeira e Saulo Finelon. Enredo: “Bembé”.
A Soberana aterrissa em Santo Amaro da Purificação, na Bahia, para buscar o enredo que atravessará a Sapucaí: Bembé do Mercado, o maior Candomblé de rua do mundo – reconhecido como Patrimônio Imaterial da Bahia desde 2012 e do Brasil desde 2019. Realizado desde 1889, um ano após a abolição da escravidão no país, o Bembé do Mercado reúne mais de 60 terreiros de matriz africana.

Autores do samba:
Sidney de Pilares, Marquinhos Beija-Flor, Chacal do Sax, Cláudio Gladiador, Marcelo Lepiane, João Conga, Diego Oliveira, Diogo Rosa, Manolo, Julio Alves e Léo do Piso
Não me peça pra calar minha verdade
Pois a nossa liberdade não depende de papel
Em Santo Amaro, todo treze de maio
Nossa ancestralidade é festejada
à luz do céu
Ê ê… João de Obá, griô sagrado
Ê ê… herança viva no mercado
Cantando, saudamos a nossa fé
Às nações do candomblé
Onde a paz e o respeito!
Ressoa no coro do axé funfun
Não tememos ataque algum
A rua ocupamos por direito
Põe erva pra defumar
Um ebó pra proteger
Saraiéié Bokunan, saraiéié!
Nosso povo é da encruza
Arte preta de terreiro
É mistura de cultura
Multidão de macumbeiro
O povo gira no xirê, a celebrar…
A fé se espalha em cada canto,
em cada olhar
Transborda magia no toque do tambor
Às Yabás, o balaio e o amor…
Yemanjá alodê no mar (no mar)
É d’Oxum toda beleza do ibá
É reza no corpo, é dança na alma
A rosa, a palma, o Omolucum…
É Dona Canô de todo recanto
Evoco a Baixada de Todos os Santos!
Atabaque ecoou, liberdade
que retumba
Isso aqui vai virar macumba!
Deixa girar que a rua virou bembé
Deixa girar que a rua virou bembé
O meu egbé faz valer o seu lugar
Laroyê, Beija-Flor, Alafiá!

VIRADOURO
Cores: vermelho e branco. Horário de desfile: Entre 0h50 e 1h10. Componentes: 2.500. Presidente de honra: Marcelo Calil. Presidente: Hélio Nunes. Intérprete: Wander Pires. Diretor de Carnaval: Alex Fab. Carnavalesco: Tarcísio Zanon. Mestre de bateria: Ciça. Rainha de bateria: Juliana Paes. Mestre-sala e porta-bandeira: Julinho e Rute. Coreógrafos da comissão de frente: Rodrigo Negri e Priscilla Mota. Enredo: “Pra Cima, Ciça”
A Viradouro ouve o próprio pulsar da bateria e homenageia Moacyr da Silva Pinto, atual mestre da “Furacão Vermelho e Branco”. No ano em que completa 70 anos de vida e 55 anos do seu primeiro desfile, mestre Ciça cruzará a Sapucaí em pleno ofício. Campeão pela escola de Niterói em 2020 e 2024, Ciça também já comandou agremiações como Estácio de Sá, Grande Rio, União da Ilha e Unidos da Tijuca.

Autores do samba: Cláudio Mattos, Renan Gêmeo, Rodrigo Gêmeo, Lucas Neves, Rodrigo Rolla, Ronaldo Maiatto, Bertolo, Silvio Mesquita, Marcelo Adnet e Thiago Meiners.
Eu vi… a vida pulsar como fosse canção
Milhões de compassos pra eternizar
Em cada batida do meu coração
O som que reflete o seu batucar
Lá, onde o samba fez berço,
do alto do morro
Um menino orgulha Ismael, bicho novo
Forjado nas garras do velho leão
Contam no largo do Estácio
O destino em seu passo
Que fez, pouco a pouco,
uma chama acender
Traz surdo, tarol e repique
pro mestre reger
Quando o apito ressoa parece magia
Num trem caipira, no olhar da baiana
Medalha de ouro, suingue perfeito
Que marca no peito da escola de samba
Se a vida é um enredo,
desfilou outros amores
Maestro fez do couro sinfonia
Na ousadia dos seus tambores
Peça perfeita pra me completar
Feiticeiro das evocações
Atabaque mandou te chamar
Pra macumba jogar poeira
No alto, vai resistir a caixa de Moacyr
Legado do mestre Caveira
Sou eu mais um batuqueiro a pulsar por você
Ciça, gratidão pelas lições que eu pude aprender
E, hoje, aos teus pés
Somos todos um nessa avenida
Num furacão que nunca vai ter fim
Nossa história não encontra despedida
Se eu for morrer de amor
que seja no samba
Sou Viradouro, onde a arte o consagrou
Não esperamos a saudade pra cantar
Do mestre dos mestres, herdei o tambor

UNIDOS DA TIJUCA
Cores: azul e amarelo. Horário de desfile: Entre 2h10 e 2h40. Componentes: 2.100. Presidente: Fernando Horta. Intérprete: Marquinhos Art’Samba. Diretora de Carnaval: Elisa Fernandes. Carnavalesco: Edson Pereira. Mestre de bateria: Casagrande. Rainha de bateria: Mileide Mihaile. Mestre-sala e porta-bandeira: Matheus André e Lucinha Nobre. Coreógrafos da comissão de frente: Bruna Lopes e Ariadne Lax. Enredo: “Carolina Maria de Jesus”
A escola fará uma homenagem a escritora, memorialista, compositora e multi-artista mineira, Carolina Maria de Jesus, autora do best-seller “Quarto de Despejo – O Diário de uma favelada”, considerado uma das mais revolucionárias e impactantes obras da literatura brasileira. A trajetória da autora será narrada através de suas próprias produções, colocando Carolina como espelho de um Brasil que ainda pouco se conhece.

Autores do samba: Lico Monteiro, Samir Trindade, Leandro Thomaz, Marcelo Adnet, Marcelo Lepiane, Telmo Augusto, Gigi da Estiva e Juca
Eu sou filha dessa dor
Que nasceu no interior
de uma saudade
Neta de preto velho
Que me ensinou os mistérios
Bitita cor, retinta verdade
Me chamo Carolina de Jesus
Dele herdei também a cruz
Olhe em mim eu tenho as marcas
Me impuseram sobreviver
Por ser livre nas palavras
Condenaram meu saber
Fui a caneta que não reproduziu
A sina da mulher preta no Brasil
Os olhos da fome eram os meus
Justiça dos homens, não é maior
que a de Deus!
Meu quarto foi despejo de agonia
A palavra é arma contra a tirania!
Sonhei sobre as páginas da vida
Ilusões tolhidas no sistema algoz
Que tenta apagar nossa grandeza
Calar a realeza que resiste em nós
Dos salões da burguesia aos
barracos do Borel
Onde nascem Carolinas
Não seremos mais os réus
Por tantas Marias que viram
seus filhos crucificados
Nas linhas da vida, verbo
na ferida, deixei meu legado…
Meu país nasceu com nome de mulher
Sou a liberdade, mãe do Canindé!
Muda essa história, Tijuca
Tira do meu verso a força pra vencer!
Reconhece o seu lugar… e luta
Esse é o nosso jeito de escrever!
SEGUNDA-FEIRA

PARAÍSO DO TUIUTI
Cores: azul e amarela. Horário de desfile: 22h. Componentes: 3.000. Presidente: Renato Thor. Intérprete: Pixulé. Diretor de Carnaval: Leandro Azevedo. Carnavalesco: Jack Vasconcelos. Mestre de bateria: Marcão. Rainha de bateria: Mayara Lima. Mestre-sala e porta-bandeira: Vinícius Antunes e Rebeca Tito. Coreógrafo da comissão de frente: David Lima. Enredo: “Lonã Ifá Lukumi”
A escola de São Cristóvão levará para a Avenida a história de Lonã Ifá Lukumi, vertente religiosa afro-cubana que nasce na cidade sagrada de Ilé Ifé, cria raízes profundas na África, floresce em Cuba e hoje vem sendo redescoberta no Brasil. A narrativa se aprofunda na figura de Orunmilá, orixá da sabedoria e do destino, e na ancestral prática do oráculo de Ifá.

Autores do samba: Cláudio Russo, Gustavo Clarão e Luiz Antônio Simas.
Meu padrinho me falou
Cada um tem seu orí
O destino é professor
A raiz é Lucumi
Ifá, retira dessa flor os seus espinhos
Revela meu odu e seus caminhos
Com os ikins de Orunmilá
Me dê seu Irê para vida
Olodumarê criador
Espalhou axé e amor
No ilê dos orixás
E o negro iniciado no segredo
Do reino de Olokun fez sua trilha
Rompendo os grilhões de morte e medo
Foi o primeiro babalaô da ilha
Babá Moforibalé, Babá moforibalé
Orunmilá taladê, Babá moforibalé
Eleguá
É o dono do poder
Moenda não pode mais moer
Põe fogo na cana
Eleguá
Tem mandinga e dendê
Hoje o coro vai comer
Nas barbas de Havana
Ah! O ânimo de ser do baticum
Com a lâmina sagrada de Ogum
E a sina de quem ama o idefá
Ah! A rama do Caribe se expandiu
No verde e amarelo do Brasil
Nas cordas do opelê e no oponifá
Derruba os muros quem sabe asfaltar
Caminhos abertos na mão de Ifá
Que o mundo entenda
O ebó vence a dor
Sentado à esteira de um babalaô
Ibarabô, agô Lonã
Olukumi
Ibarabô, agô Lonã
Olukumi
Iboru Iboya Ibosheshe
Canta Tuiuti!
Iboru Iboya Ibosheshe
Canta Tuiuti!

VILA ISABEL
Cores: azul e branca. Horário de desfile: Entre 23h30 e 23h40. Componentes: 3.000. Presidente de Honra: Capitão Guimarães. Presidente: Luiz Guimarães. Intérprete: Tinga. Diretor de Carnaval: Moisés Carvalho. Carnavalesco: Gabriel Haddad e Leonardo Bora. Mestre de bateria: Macaco Branco. Rainha de bateria: Sabrina Sato. Mestre-sala e porta-bandeira: Raphael Rodrigues e Dandara Ventapane. Coreógrafos da comissão de frente: Alex Neoral e Marcio Jahú. Enredo: “Macumbembê, Samborembá: Sonhei que um Sambista Sonhou a África”
A escola homenageará Heitor dos Prazeres, a quem é atribuída a criação dos termos “Pequena África” e “África em miniatura” para se referir à região da antiga Praça Onze, onde o samba carioca cresceu e se consolidou. Pintor, capoeirista, poeta, cenógrafo, figurinista, ator e multi-instrumentista, Heitor dominava todas as artes, além de ter fundado várias escolas de samba, como a Deixa Falar, Portela e Mangueira.

Autores do samba: André Diniz, Evandro Bocão e Arlindinho.
Sonhei macumbembê,
sonho samborembá
Macumba é samba e o samba é macumba
Pode até fazer quizumba
Só não pode é separar
Sonho samborembá, macumbembê
Vem da mãe terra, firmou ponto na Bahia
E na África pequena germinou
pra florescer
Éh quilombo, é a Pedra do Sal
Arraigou em terreiro e quintal
No chão batido assentou o fundamento
Foi o lino de madrinha
De padrinho, espelhamento
Flutuou na capoeira ao perfume de Ciata
Negro príncipe de ouro, o anjo
de asas de prata
Um ogan alabê, macumbeiro
A fumaça do cachimbo,
preto velho soprou
Encanto da gira, da roda de bamba
Poesia da curimba, batuqueiro e cantador BIS
Foi do lundu e do cateterê
Alinhou de linho santo,
cavaquinho na mão
Apaixonado pierrot afro-rei
A flecha certeira de Oxóssi na canção
Reluz nas escolas, em Noel e Cartola
Ganhou o mundo, com o mundo
de Paulo Brasão
De todos os tons, a Vila, negra é!
De todos os sons, a negra Vila é!
De China e Ferreira
Mocambo, Macacos e o Pau da Bandeira
Da nossa favela, branca a azul do céu
No branco da tela o azul do pincel
Vem ser aquarela, pintar a Unidos
de Vila Isabel
Oraieiê Oxum, kabecilê Xangô
Meus sonhos e tambores,
tintas e prazeres
Pra você, Heitor

GRANDE RIO
Cores: verde, vermelho e branco. Horário de desfile: Entre 0h50 e 1h10. Componentes: 3.200. Presidentes de honra: Jayder Soares, Helinho de Oliveira, Leandro Soares. Presidente: Milton Perácio. Intérprete: Evandro Malandro. Diretor de Carnaval: Thiago Monteiro. Carnavalesco: Antônio Gonzaga. Mestre de bateria: Fabrício Machado (Fafá). Rainha de bateria: Virgínia Fonseca. Mestre-sala e porta-bandeira: Daniel Werneck e Taciana Couto. Coreógrafos da comissão de frente: Hélio Bejani e Beth Bejani. Enredo: “A Nação do Mangue”.
A tricolor de Caxias mergulha na lama para exaltar a revolução cultural do Manguebeat, movimento cultural que sacudiu a cena musical brasileira a partir das margens do Recife, conectando raízes nordestinas, crítica social e ritmos universais. O desfile será uma celebração da estética e da força do Manguebeat, a partir dos toques das alfaias, da dança dos caboclos de lança, das letras provocativas de Chico Science e do manifesto do músico e ativista Fred Zero Quatro.

Autores do samba: Ailson Picanço, Marquinho Paloma, Davison Wendel, Xande Pieroni e Marcelo Moraes.
Respeite os tambores do meu Ilê
Respeite a cadência do meu ganzá
À frente o estandarte do meu povo
Anuncia um tempo novo que nos faz acreditar!
Eu sou do mangue, filho da periferia.
Sobre uma palafita, Grande Rio anunciou
Ponta de lança e Darue
Dobra o gonguê…
A revolução já começou!
Lá vem caboclo herdeiro de Zumbi
A nação está aqui
Não se curva ao poder
Escute, nossa gente vem da lama
Resistência que inflama
Quando toca o xequerê
É casa de gueto! Casa de gueto!
Nossa voz que não se cala
Batuque sem medo por direito
é o toque das alfaias
Eu também sou carangueiro
da beira do igarapé
Igapó trabalha cedo, cata o lixo da maré
Manamauê, maracatu,
saluba ê nanã, Yabá!
A vida parecida com as águas
Não é doce como o rio
Nem salgada feito o mar
A margem… Já subiu para cidade
Entre tronco e cipó, rebeldia dá um nó… Pensamento popular
Gramacho encontrou Capibaribe
Num mundo livre quero ver você cantar
Freire, ensine um país analfabeto
Que não entendeu o manifesto
Da consciência social
Chico! Manguebeat está na rua
Caxias comprou a luta
E transforma em carnaval!

SALGUEIRO
Cores: vermelho e branco. Horário de desfile: Entre 2h10 e 2h40. Componentes: 3.000. Presidente: André Vaz da Silva. Intérprete: Igor Sorriso. Diretor de Carnaval: Wilsinho Alves. Carnavalesco: Jorge Silveira. Mestres de bateria: Guilherme e Gustavo. Rainha de bateria: Viviane Araújo. Mestre-sala e porta-bandeira: Sidcley Santos e Marcella Alves. Coreógrafo da comissão de frente: Paulo Pinna. Enredo: “Delirante Jornada Carnavalesca da professora que não tinha medo de bruxa, de bacalhau e nem do pirata da perna-de-pau”.
O Salgueiro homenageará a carnavalesca Rosa Magalhães, a maior vencedora da história do Sambódromo da Sapucaí com seis títulos (1994, 1995, 1999, 2000 e 2001 pela Imperatriz Leopoldinense e em 2013 pela Vila Isabel), além de ter conquistado uma vitória antes da construção da Avenida pelo Império Serrano em 1982. A artista começou como assistente, em 1970, no Salgueiro e dedicou mais de 50 anos de sua vida ao Carnaval.

Autores do samba: Rafa Hecht, Samir Trindade, Thiago Daniel, Clairton Fonseca, Fabrício Sena, Deiny Leite, Felipe Sena, Ricardo Castanheira, JP Figueira, Deco, Marcelo Motta, Dudu Nobre, Julio Alves, Manolo, Daniel Paixão, Jonathan Tenório, Kadu Gomes, Zé Moraes, Jorge Arthur e Fadico.
Andar na Ouvidor virou caso de amor
Pro meu coração
Eu viajei nos rococós da ilusão
Arte que me inspirou
Reencontrei, no mundo de imaginação
Memórias que você criou
Dos livros revi personagens
Barrocas imagens
E nobres lembranças
Ao visitar meus sonhos de faz de conta
Me desenhei criança
Voltei a ser feliz
Que ti-ti-ti é esse pelo mundo a me levar?
Naveguei sem sair do meu lugar
Aportei no dia 22 de Abril
À sombra de um Pau-Brasil
Assim descobri meu país
Fauna e flora, pelo seu olhar
Os donos da Terra Brasilis
Um jegue me fez balançar
Nas prateleiras do lado de cá do Equador
Devorei a nação
Andar na Ouvidor
Virou caso de amor
Pro meu coração
Mestra, você me fez amar a festa
E eu virei carnavalesco
Sonhei ser Rosa
Te faço enredo
Mestra, você me fez amar a festa
Tantos alunos por aqui
Segue o legado
Na Sapucaí!
Ô lelê!, eis a flor dos amanhãs
A décima estrela brilha
em Rosa Magalhães
Onde o samba é primavera
Que floresce em Fevereiro
Nem melhor, nem pior
Salgueiro!








